Dezesseis anos. É o tempo que a Gearbox passou construindo e refinando a fórmula do looter shooter, um gênero que ela essencialmente criou com o primeiro Borderlands em 2009. E em setembro de 2025, com o quarto jogo numerado da franquia, a pergunta que todo mundo fazia era simples e cruel: depois de tanto tempo e tanto concorrente, ainda dá pra ser relevante?
Borderlands 4 chegou em 12 de setembro de 2025 pra PS5, Xbox Series e PC, com a versão Switch 2 chegando logo depois em outubro. E a Gearbox fez uma escolha que dividiu opiniões antes do lançamento e continua dividindo até hoje: o jogo apresentou um mundo aberto de verdade, diferente dos jogos anteriores que funcionavam com áreas separadas por tela de carregamento. Kairos, o novo planeta onde a história se passa, é um mapa único e contínuo onde você pega missões, explora e se locomove com veículos. É uma mudança estrutural enorme pra uma franquia que tinha uma identidade muito clara de design, e como toda mudança grande ela veio com ganhos e perdas.
O ganho mais óbvio é a sensação de exploração. Kairos é um planeta visualmente rico e variado, com regiões que têm personalidades distintas e que se revelam de forma gradual conforme você avança. A movimentação ganhou muito com novas mecânicas de deslizamento, esquiva e gancho, o que torna deslocar pelo mapa e explorar verticalmente uma experiência muito mais fluida do que qualquer jogo anterior da franquia. E o combate, que já era o ponto forte da série, ficou ainda mais refinado, com quatro novos Vault Hunters que oferecem estilos de jogo completamente diferentes e árvores de habilidade que permitem personalização profunda do seu personagem.
O vilão, o Guardião do Tempo, é um dos pontos mais elogiados do jogo. Sádico, manipulador e genuinamente ameaçador, ele representa uma correção direta às críticas que os Irmãos Calypso de Borderlands 3 receberam por serem irritantes em vez de intimidadores. Quem reclamava da qualidade dos antagonistas da franquia vai encontrar aqui algo muito mais satisfatório. A história tem conexões sólidas com Pandora e com os eventos de Borderlands 3, mas funciona como ponto de entrada pra novatos também, o que é um balanço difícil de acertar.
Mas os problemas existem e precisam ser mencionados com honestidade. O lançamento foi tecnicamente conturbado, especialmente no PC, onde crashes, stuttering e problemas de performance afetaram muitos jogadores. As texturas carregando de forma gradual no PS5 foram apontadas por vários analistas como algo que quebra a imersão. A Gearbox reconheceu as críticas, lançou patches e até distribuiu DLC gratuita como forma de compensar o público, o que pelo menos mostra responsabilidade, mas o fato de ter lançado num estado assim num produto desse tamanho é um problema real.
O mundo aberto também veio com os problemas clássicos do gênero. Missões secundárias que envolvem ir de waypoint em waypoint sem nenhum design de level interessante, colecionáveis que você faz só por obrigação porque expandem o inventário, e distâncias grandes demais em algumas missões com um indicador direcional que o próprio jogo admite ser irritante às vezes. São problemas que qualquer pessoa que já jogou mundo aberto vai reconhecer instantaneamente.
O que Borderlands 4 entrega de melhor é o que sempre foi o coração da franquia: o loop de saquear, construir seu personagem e explodir inimigos em cooperativo com amigos. Isso está mais polido e mais divertido do que nunca. O roadmap de conteúdo pós-lançamento é ambicioso, com dois Story Packs, múltiplos Bounty Packs, o retorno dos equipamentos Pearlescent e um novo Vault Hunter chegando ao longo de 2026. A Gearbox claramente está comprometida a manter o jogo vivo por muito tempo.
A resposta pra pergunta do título é sim, com ressalvas. Borderlands 4 prova que a fórmula ainda funciona e que a Gearbox sabe fazer esse tipo de jogo melhor do que qualquer outro estúdio. Mas a migração pro mundo aberto custou algo da identidade que tornava a franquia tão única, e os problemas técnicos de lançamento deixaram uma impressão ruim que os patches foram corrigindo aos poucos. Se você curte o gênero e tem amigos pra jogar junto, é uma das experiências cooperativas mais satisfatórias disponíveis hoje. Me conta nos comentários se você jogou e o que achou dessa nova direção da franquia.
